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domingo, 26 de maio de 2019

A história de Braga contada por calendários de bolso (10) - A Portugália

Uma questão que tem merecido a minha reflexão e que nunca procurei esclarecer ( o que até poderá ser fácil, atendendo a que o estabelecimento ainda funciona) é a razão pela qual a "Portugália" no Largo da Senhora a Branca, deixou de o ser.
Será que naquele tempo já existiria um "franchising"; será que tal se deveu a uma utilização abusiva do nome  (ou que nunca foi registado) em que depois os legítimos proprietários do nome (novos ou velhos) reclamaram? Que terá acontecido?
O facto é que em 1979 o estabelecimento girava sob o nome "CERVEJARIA PORTUGÁLIA" e assim era conhecida, funcionando como ponto de encontro de muita gente.
De aspecto também não sofreu grandes alterações o que, mais ainda, vem tornar curiosa esta alteração.

Em 1995 ainda girava sob a mesma designação:

Em 2014, ainda sob a gerência de Jaime da Mota Pereira da Silva, usa o nome Cervejaria Sra-A- Branca.  Não sei quando terá mudado a designação, mas o facto é que ainda hoje é conhecida pelo nome Portugália,
 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A história de Braga contada por calendários de bolso (8) - Campo das Hortas (Restaurante Cruz Sobral)

Braga e toda a região minhota sempre foi conhecida pela excelência da sua gastronomia.
O Campo das Hortas, sendo a primeira praça com importância que se depara para quem chega a Braga vindo da estação de caminhos de ferro, sempre foi um lugar privilegiado para a instalação de restaurantes.
Hoje vou falar do Restaurante Cruz Sobral. A partir dos calendários de bolso, vou "ler" aquilo que estes nos poderão contar.
Rezam as crónicas "internéticas" que o restaurante teria iniciado em 1926 pela mão de António Alves da Cruz.
Depois ter-lhe-á sucedido a sua filha Maria da Graça Cruz, que entretanto terá casado com o ex-jogador de futebol do Sporting Clube de Braga, Claudionor Sobral.
Recentemente, estará a ser explorado pelo filho deste e seus descendentes.

De entre os calendários disponíveis, podemos apreciar o de 1968, em que o restaurante apenas se chama "O Cruz", o que significará que, nessa data, a gerência ainda não teria passado para a família Sobral ( D. Maria da Graça Cruz + Claudionor Sobral)
 





 Depois em 1969, curiosamente, aos calendários impressos (iguais ao do ano anterior) foi acrescentado manualmente (presumivelmente pelos proprietários) a palavra Sobral, o que de alguma forma indicia que terá sido neste ano a mudança de nome e de gerência.


 Pelo menos, a partir de 1975 e até 1980 os calendários editados têm o seguinte aspecto, já com a designação Cruz Sobral


 
 

  •  
  • Após 1981 e até 1985 o aspecto dos calendários mudou, passando a ser o seguinte (o que pode pressupor que tenha havido alguma alteração, como por exemplo a criação de alguma sociedade, situação normalmente associada a novas ideias) 

 
 

 
 Após 1986, muito provavelmente, já associado à nova exploração por parte do filho de Claudionor Sobral, são editados novos calendários, com novo sentido estético, muito mais consentãneos com a nobreza do local onde o restaurante se encontra inserido. 
 

 

 

Ficará, no entanto, para alguém mais esclarecido e conhecedor, a tarefa de contar a verdadeira história de um dos mais conceituados restaurante da cidade Braga.
Se a publicação destes exemplares, ajudar a explicar ou a perceber alguma coisa sobre a história desta casa, então já valeu o esforço...

  

domingo, 22 de abril de 2018

Braga, na segunda metade do sec XX... história contada por Calendários de bolso (3)

Hoje vou apresentar um conjunto de calendários da extinta "Casa Grulha" (um incêndio, julgo que em 2004, terá de forma definitiva, terminado com a existência desta casa)
Considerando que apenas são apresentados calendários de 1974 (emitidos em finais de 1973) é possível que esta data esteja associada a uma mudança de proprietário/gerente por volta desta data.
 
Desde logo conclui-se que seria uma casa especializada nas famosas papas de sarrabulho, muito procuradas pelos forasteiros.
Que, no tempo em que ter um automóvel não era para todos, o turismo em Braga era feito muito à custa de grupos excursionistas (era frequente ver camionetas de excursão paradas no Campo da Vinha provenientes de outras paragens mais ou menos distantes - era esta a forma principal de conhecer o país).
Assim, era normal que os restaurantes e outras casas de pasto, tivessem como um dos principais alvos, estes grupos (atendendo ainda que para os residentes na cidade, contrariamente ao verificado nos dias de hoje, ir a um restaurante era um luxo a que muitos não podiam aceder). 
É também verdade que alguns destes grupos de excursionistas poderiam padecer do mesmo mal, isto é,  também não seriam muito endinheirados, situação em que o farnel era a alternativa mais económica e funcional.
Curioso que, parando as camionetas por norma no Campo da Vinha, a cidade nunca ofereceu a estes excursionistas um local digno e apropriado para estes degustarem os seus farnéis. Nesse aspecto a cidade de Braga não era muito convidativa.
Na ocasião era importante parar perto do centro da cidade (as paragens eram curtas e fosse para visitar a cidade, por regra o centro, ou para almoçar ou jantar, era preciso estar perto do centro e dos restaurantes).
Por isso o parque da Ponte, por exemplo, embora reunindo algumas das condições ideiais nunca foi muito utiizado como local de paragem destes grupos de excursionistas.
Os jogos de futebol, por serem sempre aos Domingos à tarde, proporcionavam uma boa ocasião de negócio, dado que os adeptos visitantes procuravam satisfazer os seus apetites gastronómicos tendo como alvo os pratos regionais, e aí as Papas de sarrabulho e os Rojões à moda do Minho levavam a dianteira.
É neste contexto que a Casa Grulha se situaria (beneficiando ainda de uma localização execepcional - meio caminho do centro da cidade para a estção da CP). 
De acordo com Evandro Lopes, um ilustre bracarense sempre atento, em comentário no facebook refere que a " Casa de Pasto o Grulha, pertencia a Alfredo Grulha embora quem estivesse à frente do negócio era a sua mulher, visto ele ter uma oficina de fabricação de roupa de trabalho na Rua Nova de Sousa...
Mais tarde foi passado à melhor cozinheira que tinham, a mulher do António Guimarães da família dos "Cerejas"  que era proprietário do café Académico, na Rua de S. Vicente." (teria sido por volta de 1973?)
Esta afirmação é confirmada com a indicação simultânea dos telefones das duas casas nos calendários que emitiam, culminando com um verso igual no calendário das duas casas, provando que estas foram casas irmãs, sendo referido António Soares Guimarães nos calendários do Café Bar Académico (algo que se vai repetindo ao longo dos anos seguintes).

 
Importa ainda referir que no calendário do Café Académico (casa suspeita!), em 1993 é referido que a Casa Grulha seria a Casa mais antiga da cidade. É possível que sim.


E em outros comentários de "facebookianos" bracarenses é possível obter algumas referências interessantes, de episódios envolvendo bracrenses, que por ocasião da II guerra mundial, partidários de uma facção, tinham por hábito frequentar também esta casa.

Face à importância desta casa para a história de Braga, e para que não caia no esquecimento, ficam pois por isso, um conjunto de outros calendários da "Casa Grulha", sempre fieis a um mesmo tipo de padrão.
A verdadeira história da casa, terá de ser contada por outros.