quinta-feira, 27 de abril de 2023

A história de Braga contada pelos calendários de bolso (XXII) e outros colecionáveis

   Em complemento da interessante exposição patente ao público na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, relativa aos 135 anos da "Livraria Cruz", e da sessão hoje levada a cabo pela Associação Braga +, no âmbito do ciclo Memórias de Braga, venho agora juntar alguns itens relativos àquela famosa casa de referência da cidade de Braga.

    Sobre a Livraria, recordo a existência de dois estabelecimentos comerciais, um na Rua D. Diogo de Sousa, outro na Avenida Central, quase junto ao Turismo. 

    Rezam as crónicas que esta livraria terá nascido sob a designação de "Livraria Escolar - Cruz & Ca." no ano de 1888, por iniciativa do professor José António da Cruz, juntamente com o seu amigo João Correia Forte.

    O nome da família Braga da Cruz está intimamente associado à cultura bracarense. 

   Encerrou definitivamente no ano de 2004, já sob a denominação de Bertrand Cruz que usava desde 1996. 

   Se realmente existisse um museu da cidade, o qual poderia ter várias componentes, ligadas aos mais variados temas, e se nesse museu (ou em alguma associação que a isso se quisesse dedicar) pudesse existir uma biblioteca constituída apenas por livros que de alguma forma envolvessem Braga, seja por terem sido editados nesta cidade, seja por serem autores bracarenses, ou apenas por referirem a cidade de Braga em qualquer das suas páginas, penso que não me enganaria que os livros editados pela Livraria Cruz (se alguma vez se conseguissem reunir todos - o que não seria fácil) ocupariam certamente a maior parte do espaço dessa biblioteca de sonho.

    Noutra área desse putativo museu, ficariam sem dúvida os seguintes calendários, que passo a apresentar, a que se juntariam, os papeis de embrulho já anteriormente expostos, mas que aqui volto a reproduzir:






 


 

 

 

 





 

 

 

 






quarta-feira, 22 de março de 2023

A história de Braga contada pelos calendários de bolso (XXI) - Pastelaria S. Victor

    Dos vários anos em que a "falecida" Pastelaria de S. Victor, situada na Rua D. Pedro V, editou alguns calendários, selecionei estes 2, relativos à nossa sala de visitas, o largo da República, vulgo Arcada, para que os eventuais visitantes desta página possam opinar sobre qual, na sua perspectiva é mais bonito: o de 1989 ou o de 1991. 

    Segundo consta no calendário de 1995 os gerentes eram Maria Arminda Afonso e Domingos Afonso, apelidos muito comuns para as bandas de Montalegre, de onde, suponho eu, seriam originários (julgo não me enganar na dedução que seriam daquela região próxima a Montalegre, pelo simples facto de comercializarem o famoso e saboroso pão de Pitões das Júnias, pitoresca localidade situada no concelho de Montalegre, bem como o conhecido folar de Chaves). 

    Aqui ficam então essas 2 ( já agora 3) peças referidas:~

    










domingo, 29 de janeiro de 2023

A história de Braga contada por calendários (XX) - Tipografia Tecnigráfica

    Já aqui postei calendários editados pelas várias tipografias da cidade, apresentando fotografias de Braga Antiga.

       Na ocasião ainda não havia criado esta série da história de Braga contada por calendários.

    As tipografias tinham de ter um manancial de imagens para vender às diversas empresas que buscavam motivos para os seus calendários. Com a chegada da informática, como sabemos, tudo se alterou.

    Muitas destas fotografias já circulam livremente pela internet, facebooks e afins.

    De qualquer forma, fica aqui esta bela série editada pela Tecnigráfica há mais de 35 anos.















sábado, 7 de janeiro de 2023

A história de Braga contada pelos calendários de bolso (XIX) - Casa Eden

  Quem for ao endereço http://www.aspa.pt/entreaspas/ea20040628.htm encontra um belo artigo  elaborado pela associada da ASPA, Irene Marado Moreira, sobre a desaparecida Casa Eden, prestigiado estabelecimento comercial da Rua do Souto.

   Volvidos quase 20 anos da sua redação, vale a pena ler com atenção, pois nesse artigo está feito o resumo dessa casa.

    Também num dos primeiros artigos deste blog sob o título "Memória Comercial" foi aqui mostrado o papel utilizado para embrulhar as peças vendidas, quando o plástico ainda não dominava totalmente e o embrulhar vencia o ensacar. 

    Quando na Rua do Souto existiam as livrarias Pax, Globo, Gualdino e ainda muito perto a livraria Augusto Costa, à entrada no largo Barão de S. Martinho, ou a livraria Victor na rua dos Capelistas ou ainda a livraria Cruz na Rua D. Diogo de Sousa, era costume no início de qualquer ano letivo, ver dezenas de estudantes calcorreando essas ruas "mendigando" um horário, ou seja, um cartão onde pudessem marcar os dias, as aulas e as salas onde estas iriam ocorrer, que se repetiriam ao longo das várias semanas.

    Curioso que a Casa Eden, apesar de não ser uma livraria, talvez por se situar na Rua do Souto, também se tenha associado a essa demanda.

    Trago aqui apenas uns singelos calendários da Casa Eden:













terça-feira, 13 de dezembro de 2022

A história de Braga contada pelos calendários de bolso (XVIII) - Revitalização Urbana

   O Centro histórico de Braga, desde há muito tempo, tem sido alvo de inúmeras intervenções, seja ao nível da intervenção nos arruamentos quer seja ao nível do edificado.

   E ao nível do edificado tem-se verificado algumas intervenções que parecem não se enquadrar com a restante arquitetura envolvente, excedendo-se a volumetria construtiva anterior com evidente abuso, seja com a introdução de novos pisos superiores ou ocupando espaços anteriormente não edificados, ou ainda com a destruição total ou parcial da fachada na procura de soluções de gosto muito duvidoso.

   Noutros casos, situações muito mais consensuais, tem-se procurado preservar a estrutura e o aspecto original, soluções que economicamente poderão ter um custo superior e consequentemente uma menor rentabilidade mas em que a identidade citadina e concelhia não sai ferida do "confronto".

   Trago aqui um conjunto de belos calendários da Câmara Municipal de Braga, dos anos de 1991 e 1992, dando conta do trabalho realizado na reabilitação de algumas das casas situadas no centro histórico da nossa cidade e que, numa breve apreciação, parecem indicar o melhor caminho a seguir.

    Que estes exemplares possam contribuir para aguçar o bom gosto e o sentido crítico de todos os cidadãos, no sentido de preservar convenientemente os edifícios e a história da nossa cidade.  

 












sexta-feira, 11 de novembro de 2022

PALAVRAS e expressões de Braga e do Minho III

 Na sequência de "posts" anteriores, veio-me hoje à memória a utilização de outra palavra que parece não ter correspondência nos dicionários existentes, com a utilização que por aqui, se vai dando.

Estou a falar da palavra "Giroto", cujo significado apenas encontrei no site https://www.lexico.pt/giroto e que apenas será usado como regionalismo para as bandas transmontanas e com o significado que segue:

giroto

gi·ro·to

Significado de Giroto

giroto, (girô) adj. Prov. trasm. Que vai dar uma volta longe de casa: gallinha girota. (Cp. girote)

Pois bem, e afinal em que circunstâncias usamos nós esse termo?

Normalmente este termo era utilizado quando estávamos a referir-nos a uma rapariga, com idade de criança ou adolescente, um pouco mais corpulenta para a idade, comparativa a outras miúdas da mesma idade. E se fosse meio arrapazada, isto é, com modos e comportamentos mais próprios de rapaz, então esse adjetivo seria ainda mais apropriado. 

O mesmo termo podia ser ainda aplicado a qualquer outra criança, do sexo masculino ou feminino, que, com idade superior aos demais, gostava de brincar com os mais novos, envolvendo-se em brincadeiras próprias da idade inferior, destacando-se das restantes por ser um pouco mais velha que os demais. 

Não sei se algum dos leitores alguma vez empregou este termo e em que sentido. Mas que é termo que por aqui é utilizado é, disso não tenho dúvida. E vendo que não existe significado devidamente traduzido nos dicionários, atrevo-me a considerar a possibilidade de ser um termo eminentemente minhoto/bracarense.

Que acham?


PALAVRAS e expressões de Braga e do Minho II

Hoje surgiu-me a palavra "bichaneira" ou "bichaneiro". 

Analisando o sentido dado à palavra nos diversos dicionários online e em que medida e numa perspetiva de procurar perceber porque é que, nós bracarenses, adotamos essa palavra, a leitura que faço é a seguinte:

"Bichanar" é falar baixo, quase em segredo, em surdina, de acordo com algumas definições.

Poderá estar aqui a explicação para que o termo "bichaneira" ou "bichaneiro", aqui em Braga tenha evoluído por isso, no sentido, porventura algo depreciativo até, de identificar alguém que é um grande frequentador da igreja (muitas vezes de fortes convicções) e que poderá andar ou não, muito perto do clero de forma até aparentemente um pouco exagerada.

Poderá por isso ser normal ouvir, em qualquer rua de Braga, ou do Minho, alguém referir-se a alguma pessoa dizendo: Fulana é uma bichaneira, passa a vida "enfiada"na igreja.

Para além do termo também ser usado quando se pretende identificar alguém que, quase em surdina, em cochicho, fala da vida alheia, criando intrigas ou mexericos, parece-me que a melhor definição se situará mesmo na definição anterior.

Concordam? E já agora, será que podemos considerar uma palavra com uma definição e utilização própria bracarense/minhota?


bi·cha·nei·ra


(bichano + -eira)

nome feminino

[Popular]  Abertura ou registo, por meio do qual os padeiros regularizam o calor do forno.


"bichaneira", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/bichaneira [consultado em 11-11-2022].

bi·cha·nar 

- Conjugar

(bichano + -ar)
verbo intransitivo

1. Falar em voz baixa, ciciando as palavras.

verbo transitivo

2. Revelar segredo ou mexerico em voz baixa.


Sinónimo Geral: COCHICHAR, SEGREDAR


"bichanar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/bichanar [consultado em 11-11-2022].