terça-feira, 5 de junho de 2018

Sporting Clube de Braga - Junho de 1953

Corria a época futebolística 1952/1953 e ficou o Sp. de Braga na penúltima posição do campeonato nacional de futebol da 1.ª Divisão, correndo sérios riscos de descer à 2.ª Divisão.
Na ocasião, o penúltimo calssificado da 1.ª Divisão e o 2.º classificado da 2.ª Divisão teriam de disputar um jogo para encontrar qual a equipa que jogaria na época seguinte na 1.ª Divisão.
O 2.º classificado da 2.ª Divisão foi o Torreense o qual teve assim que disputar com o Sporting de Braga o acesso à 1.ª Divisão.
O jogo realizou-se em Aveiro, a um Domingo, dia 28 de Junho de 1953 e do qual resultou um empate, mesmo após prolongamento.
Foi por isso necessário recorrer a um 2.º jogo, novamente em Aveiro, só que desta vez a uma terça-feira, dia de trabalho. Foi no dia 30 de Junho de 1953.
Conta a história que em Braga o comércio fechou e que uma cidade em peso foi para Aveiro apoiar o Sporting de Braga que, desta vez venceu por 2-1.
Foi uma jornada memorável para muitos bracarenses, à qual ficou indelevelmente ligado o então presidente da Câmara, António Maria Santos da Cunha...
Sem entrar em mais pormenores, porque certamente muitos já ouviram sobre este assunto muito mais que aquilo que eu poderei contar (ficando sempre a via aberta para quem nos quiser contar qualquer coisa de curioso), apresento aqui o aspecto da bancada do jogo dessa terça feira:

Perante o estado actual do futebol, com questínculas e intrigas sem fim, oxalá, na próxima época, o Sporting Clube de Braga possa tornar-se cada vez mais num oásis, verdadeiro exemplo do fair-play e uma referência do desporto português, lutando com  o seu engenho e força, sem violência e sem batotas, respeitando os seus adversários, e dessa forma, possa alcançar os seus objectivos desportivos, catapultando todos os verdadeiros braguistas para manifestações desta dimensão. 
Bom seria... 

quinta-feira, 31 de maio de 2018

A história de Braga contada por calendários (7) - Supermercado da Marquesinha

A escolha dos calendários a editar, da responsabilidade de cada anunciante, merece uma reflexão.
Há anunciantes que privilegiam a quantidade, elaborando coleções anuais de 6, 12 ou mais calendários e utilizam as imagens que as próprias tipografias disponiblizam (imagino por isso que a preços mais módicos) em comum com outros clientes. E essas imagens, por regra, nada têm a ver com o estabelecimento que procuram promover. Para além do seu valor histórioco, essas imagens, salvo qualquer razão especial, dificilmente terão eco nestes "posts"...
Há também aqueles que procuram ser um pouco mais cuidadosos, seleccionando imagens que, no mínimo, estejam relacionadas com a cidade onde se encontram implantados. 
E existem aqueles, ainda mais selectivos, que procuram com um pouco de arte, apresentar imagens da monumentalidade da sua zona de influência ou da própria cidade; aqueles que nos dão informações sobre o seu estabelecimento, como por exemplo a antiguidade ou alguma característica especial que merece ser registada. 
São estes que merecem os holofotes desta simples publicação, independentemente da importância  que essa casa comercial ou industrial teve na história da nossa cidade ou concelho.
Vem isto a propósito dos calendários editados pelo supermercado "A Marquesinha" que nos presenteou, já no final do séc XX, com um conjunto de calendários que merecem ser apreciados dada a sua originalidade.
Quanto à história da "Marquesinha", casa centenária, serão provavelmente os moradores da zona da "Ponte" e "Carandá" aqueles em melhores condições para nos contarem histórias ou tecerem alguns comentários sobre ela.
O nascimento deste "blogue" tinha por ideia principal, criar um espaço de partilha, onde cada visitante, mesmo tendo pouco conhecimento do tema, pudesse registar aquilo que sabe, enriquecendo dessa forma o património imaterial da nossa cidade que são as suas/nossas memórias que, se não as registarmos de qualquer forma, se vão perder. Infelizmente isso não tem acontecido, mas quem sabe a partir desta publicação, tudo possa vir a ser diferente. 
Assi, desconhecendo a história desta casa (apenas me recordo da sua existência na Av. da Liberdade), lanço pois o repto a quem nos possa contar algo sobre ela ou sobre as imagens aqui retratadas. 
Para ajudar a recordar, aqui vão alguns dos calendários editados, apresentados por ordem cronológica da sua publicação:

 




 






























domingo, 20 de maio de 2018

Braga na segunda metade do séc. XX - A história contada por calendários (6) - A Fundição de Sinos de Braga

Falar de Braga é falar de sinos a tocar. Há relatos de pessoas que nos visitavam (quando os sinos tocavam de noite, coisa que não vai há muito tempo) não conseguiam dormir. Claro que para os bracarenses isso nunca foi problema, tão habituados que estavam ao seu toque,
Quem me conhece sabe, que sempre gostei do toque dos sinos e que até já sugeri que Braga organizasse, anualmente, um festival de sinos tirando partido de todo o potencial existente na nossa cidade. Não sei se será possível.
Por exemplo, há não muito tempo era frequente, passeando descontraidamente pela cidade, ser surpreendido por um autêntico concerto nos sinos da igreja de Santa Cruz o que conferia uma atmosfera e um encanto especial.
Braga, com a sua quantidade de igrejas na zona urbana, encontra.se numa situação privilegiada para poder explorar esse aspecto. Bastará, penso eu, um pouco de imaginação e  vontade: matéria não falta.
Vem isto a propósito que, com a sua quantidade de igrejas e sendo Braga arquidiocese primaz, terão sido estas as razões principais pela qual a indústria sineira aqui se tivesse instalado e prosperado. 
Parece-me assim uma outra área que, atenta a sua especificidade associada à nossa cidade, mereceria que alguém capaz, fizesse uma investigação e fizesse "A história do fabrico de sinos na cidade de Braga".
Será que existem registos, por exemplo, dos locais do mundo para onde foram vendidos os milhares de sinos produzidos, desde o séc XVII, pela extinta Rebelo da Silva, da Rua de S. Lázaro? Quanto exemplares de sinos fabricados em Braga, ainda tocam por esse mundo fora? E em que partes de mundo e do nosso país?
Estou aqui  para apresentar a a única empresa do país a produzir actualmente sinos que é a Fundição de Sinos de Braga, de Serafim da Silva Jerónimo & Filhos Lda" e que desde 1932 se dedica ao ramo e vem ocupando lugar de destaque no sector, obviamente que diversificando também a sua área de negócio, adaptando-se aos tempos actuais.
Escolhi os calendários que apresento a seguir e que mostram que a maioria das actividades empresarias, ao tempo, se iniciavam em nome individual e só mais tarde adoptavam uma forma societária, normalmente associado com a passagem do testemunho aos seus descendentes; e que é assumida a data de 1932 como a data de nascimento do negócio.
Aqui estão alguns dos exemplares editados:

 

 
 


 

 

 

 

 


 
 

terça-feira, 1 de maio de 2018

Braga na segunda metade do sec. XX - História contada por calendários (5) - A fábrica do "Onça"

Dificil é falar daquilo que pouco se conhece, mas mesmo assim, vou tentar fazê-lo.
A indústria da metalurgia foi um sector com bastante expressão na cidade de Braga. Passando pelas empresas de maior dimensão como os  Sarotos,  Ramoa, Pachancho, ETMA, e por tantas outras de menor dimensão  que me habituei a ouvir falar, o "Onça" foi sempre uma empresa sempre presente e que se destacou no ramo (principalmente acessórios para automóveis e material sanitário metálico), e que me parece terá sido também a "escola" de muitos operários bracarenses.
É frequente ouvir pessoas que referem ter trabalhado no "Onça" e também em outras fábricas do sector.
O fundador da fábrica  terá sido João Carlos Teixeira de Araújo, o "Onça" que em 1927 criou uma pequena fabriqueta na Rua de Santo André, nr. 58 (em 1954 adopta forma societária com os seus seis filhos, Domingos, Manuel, Mário, José, Casimiro e Isaura - DR III série, de 11/1/1955) tendo criado a marca "Onça" em 1934. Posteriormente, em data não apurada, passa a sua actividade principal para a freguesia de Nogueira.
Está assim explicada a razão pela qual, desde miúdo ouvia falar nos "Onças" e da fábrica "Onça". A avaliar pela quantidade de pessoas que conheço e que manifestam terem ligações de parentesco ou de amizade com vários "Onças", atrevia-me a dizer que seria uma família relativamente numerosa, pelo menos ao nível da descendência, o que na realidade acabo agora por verificar.
Uma curiosidade que me assalta é perceber porquê "Onça". Como surgiu esse nome e será que tem alguma relação com o ramo a que o empresário se veio a dedicar? 
Parece-me ainda que seria inteiramente merecido perpetuar e de assinalar a importância deste sector e dos seus empresários na Braga do séc. XX, competindo aos nossos autarcas ver a melhor de o fazer.
Por cá, estuda-se Braga enquanto cidade romana, fala-se de outras indústrias como a saboaria e a chapelaria, mas aqui está também um tema a merecer, se calhar, um estudo a um mesmo nível (arqueologia industrial, direi eu), e que pode ser concretizado em publicações que façam a história desta indústria e dos seus empresários, tal a importância relativa que teve para a região de Braga durante um longo espaço de tempo. E seria conveniente não deixar passar muito tempo, no sentido de aproveitar o contributo daqueles que, ainda em primeira mão, conviveram com os seus principais protagonistas.
O meu contributo para a família "Onça", não sendo exaustivo, são este conjunto de calendários que a seguir apresento. São calendários com bastante qualidade e que certamente mostram o cuidado que havia com a imagem da empresa, de onde se destaca também a obtenção de prémios de qualidade, na década de 80.